Estou lendo Herzog. Titio Bellow sabe das coisas. Esse livro é considerado por muitos (escritores, leitores, críticos) sua magnum opus. Abstenho-me do escrutínio canônico do pequeno catatau que tenho em mãos e parto pra leitura simplesmente. A leitura atenta de Herzog faz cócegas libidinosas em áreas epistemológicas. Noutras palavras, o prazer da leitura é carnal e cerebral a um só tempo.
As condições humanas simples e gerais prevalecem mesmo entre os aparentemente mais sofisticados.
Leia novamente: as condições humanas simples e gerais prevalecem mesmo entre os aparentemente mais sofisticados. A sofisticação, sabemos, cobra caro. Ver o quadro todo é algo doloroso e não salva ninguém do contato com a realidade do cotidiano. Fico pensando no pobre Barthes. Perder a mãe não é fácil pra ninguém. Pra Barthes foi insuportável. Repito: as condições humanas simples e gerais prevalecem mesmo entre os aparentemente mais sofisticados. Ele literalmente pereceu após a morte da velha. Ver um homem como Barthes, de um refinamento intelectual ruidoso, capitular diante de um acontecimento natural como esse, ainda que terrível, faz a gente pensar um bocado em como lidar com os dejetos da existência.
Olhe, Smithers, eu tenho, sim, uma boa ideia para um novo curso. Seu pessoal da organização precisa de gente como eu. As pessoas que vêm às aulas noturnas estão apenas aparentemente em busca de cultura. Sua grande necessidade, sua grande fome, é de bom senso, clareza, verdade – nem que seja um átomo dela. As pessoas estão morrendo – não é uma metáfora – por carência de algo verdadeiro para levar para casa quando o dia acaba. Veja como elas estão dispostas a aceitar a mais descabelada bobagem.