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Sullivan é a ideia de liberdade, é alguém sempre em movimento, em fuga… Na verdade, é uma personagem que reenvia a outras personagens masculinas dos meus filmes anteriores… Há uma parte dele que nos escapa, que me escapa – mais facilmente domino Camille. Mas como argumentista e cineasta não tento conseguir no cinema aquilo que não consegui na vida real. Não tento ser omnisciente: aquilo que me escapa na vida quero que me continue a escapar no cinema. Não faço um filme para dominar o que me escapou na vida. Quero restituir esse sentimento [do que escapa]. De outra forma seria desonesto, mentiroso.

[Mia Hansen-Løve]

Algumas coisas me fazem rir. Me deixam alegre. Me fazem dar saltinhos (literalmente) de felicidade. Charlie Brown é uma dessas coisas. Acredito que se as crianças fossem levadas a ver a turma do Charlie Brown em idade precoce o mundo seria menos idiota.

Ainda há pouco assisti A felicidade é um cobertor quente (há título mais preciso? Não há), e só não verti lágrimas pela casa toda porque queria que minha filha mantivesse a atenção em Linus a soliloquiar sobriamente (lindamente) acerca dos fracassos todos e de como a vida é feita deles e por eles, e que todos nós, em menor ou maior grau, precisamos de coisas nas quais nos apoiar, e que por isso ele precisava do seu cobertor azul, assim como eles precisavam disso ou daquilo pra que a vida seguisse sem tantos sobressaltos. Dá vontade de abraçar o Linus bem forte, sabe. Minha filha manifestou interesse em abraçar o Linus e o Charlie Brown. Ela disse que os dois pareciam muito tristes e daí precisavam de um abraço.

Noite passada ela rezou e pediu por todos. Pediu sobretudo pela vovó. Pediu que ela voltasse não como estava mas como era. Pediu que ela voltasse mais jovem. Por um momento eu senti vontade de pedir junto. Por um momento eu voltei a acreditar. Por um instante eu senti vontade de rezar.

Disse que as crianças devem ser levadas a ver Charlie Brown em idade precoce. Repito: as crianças precisam de Charlie Brown assim como os adultos precisam de Dorothy Parker. Charlie Brown sempre me faz pensar em Dorothy Parker.

Résumé

Razors pain you;
Rivers are damp;
Acids stain you;
And drugs cause cramp.
Guns aren’t lawful;
Nooses give;
Gas smells awful;
You might as well live.

Résumé (tradução livre, tá; agradeça)

Láminas causam dor;
Rios são úmidos;
Ácidos mancham você;
E drogas causam cãibra.
Armas são ilegais;
Forcas cedem;
Gás tem um cheiro horrível;
É melhor viver.

Filmes

A serbian film – terror sem limites, Srdjan Spasojevic (2/5)

Desconhecido, Jaume Collet-Serra (2/5)

A falta que nos move*, Christiane Jatahy (3/5)

Quem tem medo de Virginia Woolf?*, Mike Nichols (4/5)

Homicídio*, David Mamet (3.5/5)

American buffalo, Michael Corrente (3/5)

A última sessão de cinema, Peter Bogdanovich (5/5)

O mágico de Oz*, Victor Fleming (3/5)

Raquel, Raquel, Paul Newman (2.5/5)

Annie Leibovitz – a vida através das lentes, Barbara Leibovitz (3/5)

O quarto poder*, Costa-Gavras (3/5)

Jesus no mundo maravilha, Newton Cannito (3/5)

Os inquilinos, Sérgio Bianchi (2.5/5)

Uma lição para não esquecer, Paul Newman (3/5)

O gerente, Paulo Cezar Saraceni (2.5/5)

Cão sem dono*, Beto Brant e Renato Ciasca (3/5)

Os residentes, Tiago Mata Machado (4/5)

Longa jornada noite adentro, Sidney Lumet (3/5)

The ward, John Carpenter (3/5)

Maratona da morte*, John Schlesinger (2.5/5)

X-men: primeira classe, Matthew Vaughn (2.5/5)

Turnê*, Mathieu Amalric (3/5)

Os trapaceiros*, Woody Allen (4/5)

O clube da luta*, David Fincher (2.5/5)

Os monstros, irmãos Pretti e primos Parente (3/5)

Sombras*, John Cassavetes (4/5)

O sucesso a qualquer preço, James Foley (3/5)

Faces*, John Cassavetes (5/5)

Daddy longlegs*, Josh e Benny Safdie (5/5)

Sem limites, Neil Burger (1/5)

The pleasure of being robbed*, Josh e Benny Safdie (3/5)

Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles, Chantal Akerman (5/5)

Melancolia, Lars von Trier (3.5/5)

O casamento do meu ex, Galt Niederhoffer (1.5/5)

A minha versão do amor, Richard J. Lewis (2/5)

Lenny, Bob Fosse (5/5)

Superbad*, Greg Mottola (3.5/5)

Super 8, J.J. Abrams (3/5)

Cidade de Deus*, Fernando Meirelles (3/5)

Rosetta*, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (4/5)

Hesher, Spencer Susser (2/5)

A árvore da vida, Terrence Malick (3.5/5)

Intriga internacional*, Alfred Hitchcock (4/5)

Um mundo perfeito*, Clint Eastwood (4/5)

Meeks cutoff, Kelly Reichardt (3.5/5)

Caminho da liberdade, Peter Weir (3/5)

A alegria, Felipe Bragança (2.5/5)

Iluminados, Cristina Leal (2/5)

Bróder*, Jeferson De (3/5)

A bittersweet life, Jee-woon Kim (4/5)

Win win, Thomas McCarthy (2/5)

A mocidade de Lincoln, John Ford (5/5)

Morro do céu, Gustavo Spolidoro (3/5)

Submarino, Richard Ayoade (3/5)

Fahrenheit 451, François Truffaut (3/5)

O homem do futuro, Cláudio Torres (1.5/5)

A garota da vitrine, Steve Martin (1.5/5)

Funny ha ha, Andrew Bujalski (3/5)

Admiração mútua, Andrew Bujalski (4/5)

Beeswax, Andrew Bujalski (4/5)

Daquele instante em diante, Rogério Velloso (3/5)

Ex isto, Cao Guimarães (3/5)

Medianeras, Gustavo Taretto (2/5)

Além da estrada, Charly Braun (1/5)

A condessa descalça, Joseph L. Mankiewicz (4/5)

Road to nowhere, Monte Hellman (4/5)

Riscado, Gustavo Pizzi (3/5)

Manhattan*, Woody Allen (5/5)

Pina, Wim Wenders (3/5)

Ninho familiar, Béla Tarr (3/5)

O cavalo de turim, Béla Tarr (5/5)

O homem de Londres, Béla Tarr (4/5)

Macbeth, Béla Tarr (3/5)

Claire Denis – a errante, Sébastien Lifshitz (3/5)

Curtas Claire Denis + O vestido à Cerceau + Nice, very nice, Claire Denis (2.5/5)

Sexta-feira à noite, Claire Denis (3.5/5)

O intruso, Claire Denis (5/5)

Dane-se a morte, Claire Denis (4/5)

Chocolate, Claire Denis (3.5/5)

Bom trabalho, Claire Denis (5/5)

U.S. go home, Claire Denis (3.5/5)

35 doses de rum, Claire Denis (4/5)

Nenette e Boni, Claire Denis (3/5)

Vers Mathilde, Claire Denis (4/5)

Minha terra, África*, Claire Denis (4/5)

Tio Kent, Joe Swanberg (2/5)

Chelsea on the rocks,  Abel Ferrara (3.5/5)

O moinho e a cruz, Lech Majewski (2.5/5)

Matador de aluguel*, Rowdy Herrington (3/5)

Drive, Nicolas Winding Refn (3.5/5)

Meia-noite em Paris*, Woody Allen (4/5)

O garoto da bicicleta, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (4/5)

Quero matar meu chefe, Seth Gordon (2/5)

Vivendo na corda bamba, Paul Schrader (3.5/5)

Red state, Kevin Smith (2.5/5)

Attack the block, Joe Cornish (3/5)

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios,  Beto Brant e Renato Ciasca (3/5)

O dia em que ele chegar, Hong Sang-soo (4/5)

Isto não é um filme, Jafar Panahi (3.5/5)

Oki’s movie, Hong Sang-soo (4/5)

Fora de Satã, Bruno Dumont (2.5/5)

Um pouco mais perto, Matthew Petock (1/5)

Periferic, Bogdan George Apetri (2/5)

Habemus papam, Nanni Moretti (4/5)

Irmãs jamais, Marco Bellocchio (4/5)

O desaparecimento do gato, Carlos Sorin (3/5)

Histórias da insônia, Jonas Mekas (3.5/5)

Las acacias, Pablo Giorgelli (3/5)

No lugar errado, irmãos Pretti e primos Parente (2.5/5)

Cisne, Teresa Villaverde (3/5)

O futuro, Miranda July (1/5)

Os 3, Nando Olival (0.5/5)

Sábado inocente, Alexander Mindadze (3/5)

Caverna dos sonhos esquecidos, Werner Herzog (2.5/5)

Low life, Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval (4/5)

Fausto, Aleksander Sokurov (5/5)

A rede social*, David Fincher (3/5)

Rei Lear*, Jean-Luc Godard (4/5)

Chantal Akerman, de cá*, Gustavo Beck e Leonardo Ferreira (3.5/5)

A pele que habito, Pedro Almodóvar (3.5/5)

Juízo final, Neil Marshall (3/5)

Robocop, o policial do futuro*, (3/5)

Dia e noite, Hong Sang-soo (5/5)

Margin call, J.C. Chandor (3/5)

Like crazy, Drake Doremus (1.5/5)

O céu sobre os ombros, Sérgio Borges (4/5)

Trabalhar cansa, Juliana Rojas e Marco Dutra (3/5)

Woody Allen: a documentary, Robert Weide (2/5)

Peças

45 minutos, Roberto Alvim (3/5)

Mantenha fora do alcance de crianças, Rodrigo Batista (0/5)

Gargólios, Gerald Thomas (1.5/5)

Fragmentos do desejo, Artur Ribeiro e André Curti (2.5/5)

Se uma janela se abrisse, Tiago Rodrigues (3.5/5)

A galinha degolada, Jefferson Bittencourt (1/5)

Jaguar cibernético (parte 1 e 2), Francisco Carlos (3/5)

Jaguar cibernético (parte 3 e 4), (3.5/5)

Édipo, Elias Andreato (2/5)

Ópera dos vivos, Sérgio de Carvalho (5/5)

Preferiria não?, Denise Stoklos (3/5)

Prêt-à-porter 10, CPT (2.5/5)

Lamartine babo*, Emerson Danesi (2.5/5)

Os órfãos, Karina Casiano (0/5)

Disney Killer, Darson Ribeiro (1/5)

Uma flauta mágica, Peter Brook (3/5)

A crônica da casa assassinada, Gabriel Villela (1.5/5)

Oxigênio, Marcio Abreu (4/5)

Os náufragos da louca esperança, Ariane Mnouchkine (5/5)

O casamento suspeitoso, Sérgio Ferrara (2/5)

O silêncio depois da chuva, Leonardo Moreira (2.5/5)

Tio Vânia, Yara de Novaes (3/5)

Livros

Retrato de um viciado quando jovem, Bill Cleg (3.5/5)

Alvo noturno, Ricardo Piglia (3/5)

Nêmesis, Philip Roth (3.5/5)

O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald (5/5)

Ao anoitecer, Michael Cunningham (3/5)

As coisas da vida, António Lobo Antunes (4/5)

Como funciona a ficção*, James Wood (4/5)

A paixão de A.,  Alessandro Baricco (3/5)

Um dia, David Nicholls (1/5)

História do cabelo, Alan Pauls (4/5)

Accidental genius: how John Cassavetes invented the american independent film, Marshall Fine (3/5)

O que é o contemporâneo? e outros ensaios, Giorgio Agamben (4/5)

A sangue frio, Truman Capote (3.5/5)

Monodrama, Carlito Azevedo (4/5)

* Revistos/relidos

[Meses anteriores: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho]

GABE KLINGER: Can you think of a formative experience that led you to do what you do?

HONG SANG-SOO: It was an accident. I met this guy, he was drunk. He said that I might be good for the theater. I didn’t have any plan at that moment. I returned to my room that night and thought seriously about it. So I prepared, got into the university… But when I got there, and I joined the theater department, I didn’t like the senior students. They always asked me to do things I didn’t want to do. I looked around and I saw cinema students, they were quiet, more independent in spirit… and they didn’t have to work all together like in the theater department. So I switched to cinema.

Aqui.

O palhaço é inegavelmente um filme bonito (sobretudo por ser melancólico de uma forma silenciosa) e engraçado, repleto de gags visuais articuladas em torno de planos simétricos e tal, o que faz com que o filme aparente certa imobilidade quando na verdade nada lá é estático. Diferentemente de Feliz natal, O palhaço não sofre de “afetação da influência”.

Histórias da insônia, Jonas Mekas (3.5/5)

Las acacias,  Pablo Giorgelli (3/5)

No lugar errado, Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti (2.5/5)

Cisne, Teresa Villaverde (3/5)

O futuro, Miranda July (1/5)

Os 3, Nando Olival (0.5/5)

Sábado inocente, Alexander Mindadze (3/5)

Caverna dos sonhos esquecidos, Werner Herzog (2.5/5)

Low life, Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval (4/5)

Fausto, Aleksander Sokurov (5/5)