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|Ossos| É como na Idade Média, tudo se torna uma espécie de território que não começa pelo centro, mas pelo exterior, e começa a avançar por contágio. No filme, há qualquer coisa de muito doente que começa a invadir tudo (…); não há muita diferença entre os negros do bairro e os brancos da média burguesia, é a mesma coisa: os mesmos gostos, as mesmas ambições.

(Comentário de Pedro Costa)

Para além da questão socio-antropológica a perpassar Ossos, há os rostos. Aqui, como em Cassavetes (mas não de maneira análoga, evidente), há o estatuto do corpo, da face, do gesto. Nada é dito que não pela ação desses seres (não mais personagens tão-somente) em suas deambulações (circulares, circulares). A palavra é acessório enquanto o corpo verbo. As coisas começam e ter por fim um devir em suspensão, que só acena, que nos enclausura, que nos fecha a porta e nos deixa assim, a tatear o invisível.